Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.
domingo, 15 de novembro de 2015
Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
— Fernando Pessoa
❝ Só temos uma vida, e os nossos desejos e fantasias nos exigem ter mil. Porque o abismo entre o que somos e o que gostaríamos de ser precisava ser preenchido de alguma maneira. Para isto nasceram as ficções… — Mario Vargas Llosa
Todos os dias me esforço para ser uma pessoa um pouco melhor. Quando acordo, logo penso: que eu seja melhor que ontem. Que minha cabeça esteja mais aberta, que meu humor esteja melhor, que eu não brigue por besteira, que eu não cometa os mesmos erros do passado, que eu tenha serenidade, que eu consiga vencer o dia, que eu saiba discernir o certo do errado. A minha parte, pelo menos, estou fazendo. Ou pelo menos tentando.
Nascemos puros, livres, ingênuos. Com o tempo, as decepções e os aprendizados, vamos formando uma casca, um escudo, uma armadura, uma couraça emocional. Quando encontramos alguém que faz nosso coração bater mais forte, é preciso ter a coragem de se despir, de tirar toda e qualquer coisa que nos cubra, nos proteja, nos envolva. Para amar é preciso estar de cara limpa e peito aberto.
— Clarissa Corrêa
Quando já não tinha espaço pequena fui Onde a vida me cabia apertada Em um canto qualquer acomodei Minha dança os meus traços de chuva E o que é estar em paz Pra ser minha e assim ser sua
Quando já não procurava mais Pude enfim, nos olhos teus vestidos d'água Me atirar tranqüila daqui Lavar os degraus, os sonhos e as calçadas
E assim no teu corpo eu fui chuva Jeito bom de se encontrar E assim no teu gosto eu fui chuva Jeito bom de se deixar viver
Nada do que eu fui me veste agora Sou toda gota, que escorre livre pelo rosto E só sossega quando encontra a tua boca
E mesmo que em ti me perca Nunca mais serei aquela Que se fez seca Vendo a vida passar pela janela
Quando já não procurava mais Pude enfim, nos olhos teus vestidos d'água Me atirar tranquila daqui Lavar os degraus, os sonhos e as calçadas
E assim no teu corpo eu fui chuva Jeito bom de se encontrar E assim no teu gosto eu fui chuva Jeito bom de se deixar viver.
A beleza é terrível! Terrível, porque indefinível. Deus só nos deixou enigmas. Os extremos se tocam e todas as contradições se misturam.